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Mariana Salomão

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O Brasil ainda é o maior país católico do mundo, com 64,6% da população de adeptos dessa religião, segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em uma nação prioritariamente cristã, como vivem os que não creem em Deus ou os que acreditam que não dá nem para discutir sua existência etérea? Como é ser ateu ou agnóstico em um lugar desses?

A verdade é que o preconceito é muito forte. Os ateus são mais rejeitados até que os usuários de crack. Uma pesquisa do Instituto Rosa Luxemburgo e da Fundação Perseu Abramo demonstra que eles são a parcela da população com maior índice de rejeição: 42%, superando os usuários de drogas (41%), garotas de programa (26%), ex-presidiários (21%), gays (20%), portadores do vírus HIV (9%) e pobres (3%). “Nem todo mundo está preparado para lidar com o que é diferente”, afirma Pedro Henrique Costa, estagiário de Enfermagem.

“Sair do armário” e se declarar ateu é, segundo Leonardo Machado, professor universitário, desafiador. “Mas tenho peito suficiente pra isso. Tenho uma Declaração dos Direitos Humanos e uma Constituição que me garante liberdade de pensamento.”. Wagner Kirmse, também professor universitário, concorda: “Eu tive muito medo. O preconceito é muito forte e não adianta os puristas dizerem que não existe. Porém, depois de um tempo resolvi me declarar ateu.”.

Atualmente existem os neo ateus, indivíduos que têm uma facilidade maior em “sair do armário” e que normalmente são mais ativos na disseminação do ateísmo, mais críticos – e menos tolerantes com a religião. No Brasil existe a ATEA (http://www.atea.org.br/), Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, que tem como finalidade promover o ateísmo, o agnosticismo e a laicidade do Estado.

O ES conta com um grupo fechado no Facebook (https://www.facebook.com/groups/ateismoes/?fref=ts), com mais de 1200 pessoas, criado para aproximar os ateus e simpatizantes capixabas, e que organiza encontros regulares para trocarem ideias e apoiarem quem precisa de orientação.

Mas o que é o ateísmo? Para Atyla Neto, médico, não é uma crença, nem mesmo uma filosofia. “Assim como ser careca não é um corte de cabelo, os ateus são aquelas pessoas que não acreditam na existência de deuses. Ponto final.”. São indivíduos que creem apenas nas coisas que têm evidências, no que pode ser provado empiricamente, no racional.

O agnosticismo, segundo Luiz Dias, eletrotécnico, tem a ver com a falta de certeza, de crença, então o agnóstico pode não crer, crer, ou não ter uma opinião sobre o assunto. Em princípio, seria aquele cuja posição filosófica o deixa incapaz de julgar aquilo que está além da sua capacidade cognitiva.

Os ateus acreditam naquilo que é tangível e verificável. Existimos por mero acaso, mas “estar aqui já é um privilégio das estimativas biológicas, físicas e químicas”, afirma Leonardo Machado, professor.

A existência humana não poderia ser explicada em função dos deuses e a vida eterna não existiria. Não acreditar em nenhuma divindade pode não fornecer o conforto emocional dessas crenças, mas para Atyla, a visão prática da vida, sendo ateu, é libertadora, pois faz você querer aproveitar ao máximo a vida e não perder tempo com besteiras ou ódio. Pedro Henrique alega que lidar com as inseguranças e inquietudes próprias do ser humano sem a religião é um verdadeiro exercício de racionalidade.

A religião, segundo a opinião dos entrevistados, é considerada uma forma de controle da sociedade para dominar o outro e submetê-lo, um instrumento de controle social e dominação das massas. Wagner pensa que a prática religiosa seria necessária para algumas pessoas, para que ajam de acordo com as regras da sociedade, mas os conceitos de bondade e maldade deveriam ser sociais e não vir da religião. “As pessoas precisam de uma recompensa ou de um castigo para se pautar no bem? Não seria a empatia social um benefício para a sociedade em que se vive?”, questiona.

Não se decide virar ateu; as pessoas chegam a uma conclusão lógica a partir de suas próprias concepções. Não é uma escolha, mas uma conclusão. Quando Wagner era criança, por exemplo, já tinhas seus questionamentos para a professora de catequese: “Professora, onde estão os dinossauros na Bíblia?”. Edson Monteiro, administrador de empresas, acredita que “a decepção com a religião leva o homem ao agnosticismo, ao buscar conhecimento e informações sobre a veracidade de uma crença”. Nesse momento ele pode se tornar ateu ou não.

Enquanto há quem considere que o agnóstico estaria em uma fase transitória da religião para o ateísmo, há também quem pense que essa seria uma forma de ficar em cima do muro, porque é mais aceitável que se assumir ateu, o que teria implicações sociais mais impactantes. Leonardo acredita que “é mais confortável não se definir que escolher um lado. É mais fácil se dizer “sem religião” (leque grande e confortável) que negar de uma vez e levar pedradas.”.

Deus não existe?

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Mas negar a existência de Deus também não exigiria provas mais fortes, além de simples argumentos teóricos? Atyla defende que os ateus não afirmam nada, só duvidam. Se alguém acha que seu deus existe e afirma sua existência, essa pessoa é quem teria a obrigação de prová-la. Para ele, acreditar em coisas sem provas não poderia ser saudável.

Curiosamente, apesar dos ateus serem de modo geral céticos, existe aqueles que acreditam em horóscopo, como por exemplo, Ana Claudia Mielki, jornalista, ainda que essas pessoas sejam minoria em um grupo onde a razão dita as regras.

Edson, sobre o sentido da vida sem a religião, afirma: “Existimos porque estamos no lugar certo no tempo certo. Sem misticismos, somos produtos de oportunidade e adaptação. Devemos deixar um bom legado para os que nos cercam. No fim… é uma escolha!”.

Fonte pesquisada: Universo Ufes

http://universo.ufes.br/blog/2014/07/ateus-e-agnosticos/#!prettyPhoto

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