Tags

 

 

Religião

 

Bento XVI tinha “cansaço dificilmente sustentável”, diz presidente italiano

Chefes de Estado e religiosos comentam a decisão de Bento XVI de renunciar ao Pontificado em fevereiro

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA EFE
 
 

Em carta a cadeais, divulgada nesta segunda-feira (11), o papa disse que tomou a decisão por conta de sua “idade avançada” e afirmou que “falta força” para continuar.  

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, afirmou que está “muito alterado” pelo anúncio de Bento XVI. “Estou muito alterado por conta desta notícia inesperada”, afirmou Monti perante as perguntas dos jornalistas em um congresso no qual participa nesta segunda-feira em Milão. Além disso, Monti afirmou que não sabia sobre a decisão do sucessor de João Paulo II de renunciar. “Soube desta notícia há um minuto”, disse.

Monti também falou que não tem poder de comentar se essa renúncia pode ou não mudar a relação do Estado italiano com o Vaticano.  

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou o “trabalho conjunto” de seu governo com o papa Bento XVI, nos últimos quatro anos, ao comentar o anúncio da renúncia do pontífice para o dia 28 de fevereiro. “Em nome de todos os americanos, em todas as partes, Michelle e eu desejamos estender nosso agradecimento e nossas orações a Sua Santidade, o papa Bento XVI. Lembramos com afeto da nossa reunião com o Santo Padre em 2009”, disse o presidente, em comunicado emitido pela Casa Branca. 

“A Igreja tem um papel crítico nos Estados Unidos e no mundo, e eu desejo o melhor para aqueles que, em breve, se reunirão para escolher o sucessor de Sua Santidade, o Papa Bento XVI”, afirmou Obama.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou que “milhões de pessoas” sentirão saudades do papa Bento XVI como “líder espiritual”

“Bento XVI trabalhou incansavelmente para reforçar as relações do Reino Unido com a Santa Sé”, disse o chefe do Executivo britânico em um breve comunicado oficial. Cameron disse que a visita do Pontífice ao Reino Unido em 2010 “é lembrada com grande respeito e carinho”. 

O arcebispo de York, John Sentamu, foi o primeiro líder anglicano a reagir ao inesperado anúncio de Bento XVI. “Com a notícia de que o papa deixará seu posto no final de fevereiro, o cristianismo perderá um grande teólogo com uma grande profundidade espiritual”, opinou o líder anglicano em seu Twitter. Segundo Sentamu, Bento XVI “comunicou a revelação de Deus de uma maneira característica como verdadeiro sucessor de São Pedro”. 

O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, afirmou nesta segunda-feira que o papa Bento XVI deu uma marca própria em seus oito anos de Pontificado e acrescentou que sua decisão de abandonar o cargo é algo que comove os católicos e os cristãos. “Durante seus oito anos de Pontificado, Bento XVI deu à igreja um marca própria. Como cristão e como católico sua decisão me comove. Sem dúvida é preciso agradecer pelos anos nos quais foi guia da igreja”, disse Seibert.

A chanceler alemã, Angela Merkel, agradeceu ao papa Bento XVI por seus anos de trabalho à frente da Igreja Católica e desejou o melhor após sua renúncia, uma “decisão difícil” que merece “o máximo respeito”. Ele se mostrou convencida de que o papa tomou a decisão levando em conta a instituição que preside e pensando em seus fiéis. 

A líder alemã, que lembrou o “orgulho” que sentiu quando Joseph Ratzinger foi anunciado como novo papa há oito anos, agradeceu Bento XVI por seu Pontificado e desejou, “de todo coração”, o melhor para a etapa que se abre em sua vida após a renúncia.

A chanceler destacou a “profunda cultura” de Bento XVI, seu “vivo interesse pela integração europeia” e agradeceu por ter impulsionado ativamente o “diálogo” ecumênico com “outras igrejas e religiões”, como os ortodoxos e os judeus. Além disso, Merkel, que é protestante, disse que em sua opinião o papa alemão é “um dos mais significativos pensadores religiosos de nossa época”. 

A Conferência Episcopal Alemã qualificou a renúncia como um “luminoso exemplo de responsabilidade e de amor pela Igreja”. “Cristo lhe confiou, através do Espírito Santo, o cargo de São Pedro. No momento em que começaram a faltar-lhe forças para servir à Igreja, voltou a colocar o cargo nas mãos de Deus”, disse em comunicado o presidente da Conferência Episcopal, o arcebispo de Freiburg Robert Zollitsch.

Fonte: Revista Época
http://revistaepoca.globo.com/Mundo/noticia/2013/02/bento-xvi-tinha-cansaco-dificilmente-sustentavel-diz-presidente-italiano.html
IGREJA – 11/02/2013 11h53 – Atualizado em 11/02/2013 18h40

Bento XVI testemunhou o calvário de seu antecessor.

E tomou o caminho oposto

Principal interlocutor de João Paulo II no fim de seu pontificado, 

 

o então cardeal Ratzinger viu de perto como o polonês transformou seu sofrimento numa manifestação de fé. O alemão, porém, rompeu com a tradição da qual era considerado o mais feroz protetor

 

 

 

 

 

 

 Aclamado pelos fiéis na cerimônia fúnebre vista por mais pessoas na história, João Paulo II consolidou entre os fiéis a noção de que, apesar de permitida pelos códigos do Vaticano, a renúncia não era uma hipótese aceitável na prática, por significar o fim prematuro de uma missão divina confiada ao sumo pontífice

 

 

 

 

Nos últimos dois anos, as aparições públicas do papa Bento XVI passaram a despertar as lembranças da reta final do pontificado de seu antecessor, João Paulo II – e não por causa da forte ligação pessoal entre os dois. Assim como o pontífice polonês, o alemão, que mostrava boa condição de saúde na primeira metade de seu papado, passou a ser incapaz de ocultar seu sofrimento. Os sinais claros de que a idade pesava sobre seus ombros – a voz frágil, os movimentos lentos, o olhar com aspecto vitrificado, a necessidade de auxílio para se movimentar – já despertavam as mesmas preocupações que cercaram João Paulo II no crepúsculo da vida. Os especialistas começavam a listar possíveis sucessores. Os organizadores da Jornada Mundial da Juventude, no Rio, em julho deste ano, preparavam-se para lidar com a provável ausência do pontífice. Ainda assim, o início repentino da sucessão papal chocou a todos – afinal, ninguém pensava na possibilidade de renúncia. O anúncio feito nesta segunda-feira por Bento XVI é surpreendente não apenas pelo histórico da Igreja Católica (o último a deixar o Trono de Pedro por vontade própria foi Gregório XII, em 1415) mas também pelo forte contraste em relação ao desfecho escolhido pelo alemão, que acompanhou de perto o antecessor em seu calvário público – e testemunhou, também, a prova de fé do polonês ao suportar o sofrimento por acreditar que só a morte deveria interromper sua missão como papa.
Leia também: Vaticano espera anunciar novo papa até fim de março
Confira o vídeo em que o papa Bento XVI anuncia renúncia

O então cardeal Joseph Ratzinger foi a figura mais influente e poderosa do Vaticano no pontificado de João Paulo II (com exceção do próprio papa, evidentemente). Os dois tinham uma fortíssima ligação, já que compartilhavam de visões parecidas a respeito do estado da Igreja e do futuro do catolicismo. Como homem forte do papa na defesa da doutrina, o alemão era um dos interlocutores mais frequentes de João Paulo II – talvez só os auxiliares pessoais do papa tivessem mais acesso a ele. Nesse contexto, Ratzinger acompanhou ao vivo, e sempre muito de perto, cada momento da luta do pontífice contra sua doença. Ele já não conseguia andar, falar nem mastigar, com a maior parte de seus músculos internos enrijecida pelo Parkinson. Ainda assim, seguia tentando cumprir seus compromissos públicos – e protagonizando cenas comoventes de devoção e fé. O terceiro pontificado mais longo de todos os tempos chegou a seu término com uma exposição pública de dor jamais vista na história da Igreja Católica. Mas houve um sentido nisso. Paralisado e silenciado pela doença, João Paulo II transubstanciou seu calvário particular numa mensagem universal: a de que não existe redenção sem sofrimento (uma mensagem sobre a qual, aliás, se alicerça o cristianismo). João Paulo II carregou sua cruz diante dos olhos do mundo. Muitos podiam não concordar com tudo o que o papa polonês pregou e defendeu. Mas tornou-se impossível não admirá-lo pela sua coragem na saúde e na doença, na vida e na morte.

Cronologia: Antes do papado, fuga dos nazistas e guerra a comunistas
Em Dia: 
O pontificado incompleto de Bento XVI


Aclamado pelos fiéis na cerimônia fúnebre vista por mais pessoas na história, João Paulo II consolidou entre os fiéis a noção de que, apesar de permitida pelos códigos do Vaticano, a renúncia não era uma hipótese aceitável na prática, por significar o fim prematuro de uma missão divina confiada ao sumo pontífice, o escolhido de Deus – através dos votos do colégio de cardeais – para comandar a Igreja. A decisão de Bento XVI de interromper voluntariamente seu pontificado chocou os fiéis justamente por isso: poucas pessoas no mundo conhecem mais sobre a história do papado do que o alemão e talvez ninguém no planeta tenha acompanhado mais de perto o exemplo de João Paulo II. Sua renúncia, portanto, nunca foi seriamente cogitada por ninguém que não o próprio papa. O que, afinal, convenceu Bento XVI a tomar essa decisão tão inesperada? Por enquanto, seu pronunciamento oficial – que diz apenas que ele “não tinha mais forças para exercer adequadamente o ministério petrino” – é insuficiente para que se saiba mais a respeito de sua real condição. O Vaticano não fala sobre nenhuma doença específica. Sobre pelo menos uma coisa não há dúvidas, pelo menos até agora: Bento XVI está plenamente consciente e convicto de sua decisão, por mais que ela contrarie tudo o que se esperava dele. “No mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito”, escreveu o papa. “Tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.” Se João Paulo II foi apelidado de “o papa das surpresas”, Bento XVI era visto como o pontífice do continuísmo, da transição sem sobressaltos. Em seu último lance, rompeu com a tradição – e acabou surpreendendo mais até que o antecessor.

Da Alemanha nazista ao Vaticano: a trajetória de Bento XVI
Joseph Ratzinger ocupou todos os cargos mais importantes da hierarquia do Vaticano até 2005

1927: Nasce Joseph

Joseph Alois Ratzinger nasceu às 8h30 da manhã de 16 de abril de 1927, um Sábado de Aleluia, na casa de seus pais, na pequena cidade de Markt am Inn, na Bavária, Alemanha. Foi batizado no mesmo dia. Filho de um policial, também chamado Joseph, e de uma dona de casa chamada Maria, tinha dois irmãos mais velhos: Georg e Maria. A família era originalmente da região do Tirol. O tio-avô de Joseph Ratzinger era Georg Ratzinger, padre, escritor e político muito conhecido na Bavária.

Fonte: Veja
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/bento-xvi-testemunhou-o-calvario-de-seu-antecessor-e-tomou-o-caminho-oposto

Anúncios