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Religião

Por Leonardo Stuepp

Em muitas oportunidades li e ouvi comentários sobre as riquezas da Igreja Católica Apostólica Romana. Nestes comentários abordam que se a Igreja vendesse o seu patrimônio, muitas pessoas poderiam ser alimentadas e, ingenuamente passam a ideia de que a fome acabaria para sempre.

Então, ampliando as possibilidades de riqueza das Instituições religiosas de todo o mundo, poderemos acrescentar os bens das Igrejas Ortodoxas, da Igreja Anglicana, da Igreja Luterana e de todas as Igrejas Pentecostais e mais recentemente das milionárias Igrejas Neopentecostais. Sem dúvidas, teríamos uma riqueza e tanto, que poderia num determinado momento eliminar a fome dos famintos de toda a terra. Mas até quando?

Esquecem as pessoas que fazem tais comentários que estas riquezas, no caso da Igreja Católica e de tantas outras denominações cristãs, não são riquezas pessoais, mas sim, pertencentes a todos os membros destas denominações, no caso específico da Igreja Católica Apostólica Romana, representando em sua maioria por museus e bibliotecas.

Ainda no caso da Igreja Católica Apostólica Romana, vender seus bens significa também acabar com um Estado, pois o Vaticano não é somente a sede da Igreja, mas sim um Estado independente e o Papa é o seu Chefe. Então, poderemos ampliar mais as possibilidades e solicitar que todos os Estados (Nações), se desfaçam de suas riquezas em prol da eliminação da fome no mundo.

Agora com nosso amado Papa Francisco, notamos uma posição mais humilde, sem pompas, mas isto não significa que ele faça o que fez o Papa Kirill I do filme “As Sandálias do Pescador”, que no dia de sua posse solene, anuncia a distribuição de todos os bens da Igreja para a solução da grave crise internacional representada pela fome de 800 milhões de chineses, o que levaria a uma guerra nuclear entre as três grandes potências: Estados Unidos, União Soviética (Rússia) e China e, solicita a todos os líderes dos países ricos que sigam a sua proposta.

Mas, vamos então meditar sobre esta possibilidade: se todos os bens de todas as religiões do mundo fossem revertidos em prol das populações carentes, fica uma pergunta: a quem seria entregue esta riqueza para uma distribuição a todos os necessitados.  Aos governos?

A experiência que temos – agora pensando em nosso amado Brasil – é a certeza de que grande parte desta riqueza seria desviada e os famintos não receberiam os alimentos em sua mesa, mas os esquemas de desvios fariam a alegria de muitos corruptos.

É só pensar onde parou grande parte das verbas destinadas aos flagelados das inúmeras tragédias nacionais dos últimos anos. Penso que o melhor é que cada Instituição permaneça do modo que está e, que não pensemos nas riquezas que elas possuem, mas sim em nossa participação e ação em todas as instâncias para que sejam tomadas medidas e sejam cumpridas as leis.

Exigir de todos os níveis de governo, austeridade, fim das regalias, aplicação dos valores referente aos impostos em infraestrutura, em educação, em saúde, em segurança. E, que os legislativos criem leis que incentivem a produção de riquezas, possibilitando que todos os cidadãos possam participar ativamente desta produção e que possam também usufruir de seus benefícios, e que o executivo regule e controle as atividades de uma maneira justa, coerente e não permita que os bens públicos sejam desviados em prol de alguns apaniguados e, que o poder judiciário esteja atento e julgue de conformidade com a lei, sem se deixar levar por ideologias e grupos de interesse.

A pertença a uma instituição religiosa é uma questão pessoal e a contribuição financeira à mesma também é de livre e espontânea vontade. Agora, no caso dos impostos, nós não temos a prerrogativa de não pagá-los (claro que existem possibilidades de sonegá-los – que é um crime -), então, contribuímos com a nossa parte para que os governos em suas três esferas possam fazer aquilo que lhes é de sua competência, sendo transparentes, honestos e cumpridores da lei. Ah! Mas imagino como ficam felizes aqueles que usufruem do poder em benefício próprio e de seus grupos, ao pensar em como seriam bem vindas as riquezas das Igrejas…

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