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Jornalista, escritor e humorista Millôr Fernandes morre no Rio

Morreu no Rio, o jornalista, escritor e humorista Millôr Fernandes.

Ele morreu, em casa, de falência de múltiplos órgãos. Logo que souberam da notícia, amigos foram ao apartamento onde o escritor morava.

Logo que souberam da notícia, amigos foram ao apartamento onde o escritor morava, em Ipanema, Zona Sul do Rio. Millôr Fernandes morreu nesta terça-feira (27) à noite, em casa, de falência de múltiplos órgãos.

Desde fevereiro do ano passado, Millôr Fernandes vinha enfrentando problemas de saúde. Ele teve um acidente vascular cerebral seguido de várias complicações, entre elas pneumonias. Há quatro meses, o escritor recebia cuidados médicos em casa.

Jornalista, escritor, desenhista, dramaturgo e humorista. Millôr Fernandes tinha inúmeros talentos.

“Ele jamais deixou levar pelo o que hoje se chama de culto a celebridade. Ele disse que sempre gostou de ser notório e não famoso”, diz o filho do escritor, Ivan Fernandes.

Quando nasceu, nem a família sabe ao certo: em alguns documentos, 16 de agosto de 1923, em outros, 27 de maio de 1924. Na hora de registrar o menino Milton, o escrivão criou um novo nome. “Naquela época escrevia com aquela letra bonita, aquele ‘m’ aberto, o ‘l’ aberto, o ‘t’ aberto. Quando chegou no ‘n’, ele fez um ‘r’ perfeito. E traçou o ‘t’ em cima do ‘o’. Então está com o circunflexo”, diz.

Foi um dos maiores tradutores de Shakespeare no teatro. Contra a censura e a ditadura militar, criou dois marcos: a peça “Liberdade, Liberdade”, em 1965, e o jornal O Pasquim, em 1969.

“Eu trabalho com espontaneidade. Quando começo a escrever não sei o que vou escrever. Você começa a escrever e aí você inventa coisas formidáveis, porque está trabalhando com material geral, com total liberdade”, disse Millôr a Globo News, em 2005.

Passou pelas principais revistas do país. Fez história na Veja. No Jornal do Brasil, tinha um espaço em formato de quadrado, onde publicava textos e cartoons.

“O método dele era o humor. Ele fazia uma piada, mas nunca era uma piada barata. Não tinha trocadilho, era uma coisa profunda”, diz o escritor e desenhista Ziraldo.

“Foi uma perda grande , antes de mais nada, para os amigos, entre os quais eu me incluía. Todos perdemos e o país perdeu uma das grandes inteligências, acho que o Brasil ficou um pouco mais burro com a morte do Millôr”, diz o escritor Luis Fernando Veríssimo.

“O Millôr estava órfão com 10 anos de idade. Então acho que isso criou nele um espírito guerreiro”, diz a jornalista Cora Rónai.

“Uma das coisas que mais me fascinavam no Millôr era a independência dele, independência política, independência a partido, a religião. Ele era um homem livre. Ele dizia ‘livre como um táxi’ e depois corrigia e dizia ‘Eu também não sou um homem livre, mas muitos poucos chegaram tão perto quanto eu’”, diz o escritor Zuenir Ventura.

FOnte: Globo.Com

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2012/03/jornalista-escritor-e-humorista-millor-fernandes-morre-no-rio.html

Edição do dia 28/03/2012 – 28/03/2012 22h09 – Atualizado em 28/03/2012 22h11

Biografia

Wikipedia

Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923[1] — Rio de Janeiro, 27 de março de 2012[2]) foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro.

Com passagem marcante pelos veículos impressos mais importantes do Brasil, como O Cruzeiro, O Pasquim, Veja e Jornal do Brasil, entre vários outros, Millôr era considerado uma das principais figuras da imprensa brasileira no século XX.[3][4] Multifacetado, obteve sucesso de crítica e de público em todas os gêneros em que se aventurou, como em seus trabalhos de ilustração, tradução e dramaturgia, sendo várias vezes premiado.[5] Além das realizações nas áreas literária e artística, ficou conhecido também por ter sido um dos idealizadores do frescobol.[6]

Com a saúde fragilizada após um acidente vascular cerebral no começo de 2011, veio a morrer de março de 2012, aos 88 anos.[3]

Índice

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Biografia

Juventude

Filho do engenheiro espanhol Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes, Millôr nasceu no do Méier em 16 de agosto de 1923, mas só foi registrado – como Milton Viola Fernandes – no ano seguinte, em 27 de maio de 1924. De Milton se tornou Millôr graças à caligrafia duvidosa na certidão de nascimento, cujo traço não completou o “t” e deixou o “n” incompleto.[7] Aos dois anos perde o pai, e sua mãe passa a trabalhar como costureira para sustentar os quatro filhos.[1]

De 1931 a 1935 estudou na Escola Ennes de Souza. Nesse meio tempo se torna leitor voraz de histórias em quadrinhos, especialmente Flash Gordon. A forte influência, e o estímulo de seu tio Antônio Viola, o leva a submeter um desenho ao períodico carioca O Jornal que, aceito e publicado, lhe rende um pagamento de 10 mil réis.[1]

Aos doze anos perde a mãe, passando a morar com o tio materno Francisco, sua esposa Maria e quatro filhos no subúrbio de Terra Nova, próximo ao Méier. Dois anos depois, em 1938, passa a trabalhar para o médico Luiz Gonzaga da Cruz Magalhães Pinto, entregando seu remédio para os rins “Urokava” em farmácias. Pouco depois é empregado pela revista O Cruzeiro, assumindo as funções de contínuo, repaginador e factótum.[1]

Na mesmo época, assinando sob o pseudônimo “Notlim”, ganha um concurso de contos na revista A Cigarra. É promovido a arquivista da publicação, e com o cancelamento de quatro páginas de publicidade desta, é convidado a preencher o espaço vago. Cria então a seção “Poste Escrito”, que assina como “Vão Gogo“.[1]

Carreira literária

O sucesso de sua coluna em A Cigarra faz com que ela passe a ser fixa, e Millôr assume a direção do periódico, cargo que ocuparia por três anos. Ainda sob o pseudônimo Vão Gogo, começa a escrever uma coluna no Diário da Noite. Passa a dirigir também as revistas O Guri, com histórias em quadrinhos, e Detetive, que publicava contos policiais.[3]

Em 1941 volta a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como Vão Gogo na coluna “Pif-Paf”, o fazendo por 18 anos. A partir daí passou a conciliar as profissões de escritor, tradutor (autodidata) e autor de teatro.[1]

Já em 1956 divide a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg. Em 1957, ganha uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.[1]

Dispensa o pseudônimo Vão Gogo em 1962, passando a assinar apenas como “Millôr” em seus textos n’O Cruzeiro. Deixa a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica.[1]

Em 1964, passa a colaborar com o jornal português Diário Popular e obtém o segundo prêmio do Salão Canadense de Humor. Em 1968, começa a trabalhar na revista Veja, e em 1969 torna-se um dos fundadores do jornal O Pasquim.[1]

Nos anos seguintes escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams.[1]

Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, retornou à Veja em setembro de 2004, deixando a revista em 2009 devido a um desentendimento acerca da digitalização de seus antigos textos, publicados sem sua autorização no acervo on-line da publicação.[8]

Problemas de saúde e morte

No princípio de fevereiro de 2011, Millôr sofre um acidente vascular cerebral isquêmico. Permanece em torno de duas semanas inconsciente na UTI,[9] e após cinco meses de internação em uma clínica no Rio de Janeiro, recebeu alta no dia 28 de junho.[10] Dois dias depois volta a se sentir mal, passando outros cinco meses internado.[11]

Após o segundo internamento a família de Millôr manteve em privado os detalhes a respeito de sua saúde, até que em 28 de março de 2012 é divulgado à imprensa que o escritor morrera no dia anterior, em decorrência de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca.[7]

Millôr deixou dois filhos, Ivan e Paula, de seu relacionamento com Wanda Rubino Fernandes, e um neto, Gabriel. Ele passou os últimos anos de sua vida ao lado da jornalista Cora Rónai.[12]

Obras

Prosa

  • Eva sem costela – Um livro em defesa do homem (sob o pseudônimo de Adão Júnior) – 1946 – Editora O Cruzeiro.
  • Tempo e contratempo (sob o pseudônimo de Emmanuel Vão Gogô) – 1949 – Editora O Cruzeiro.
  • Lições de um ignorante – 1963 – J. Álvaro Editor
  • Fábulas Fabulosas – 1964 – J. Álvaro Editor. Edição revista e ilustrada – 1973 – Nórdica
  • Esta é a verdadeira história do Paraíso – 1972 – Livraria Francisco Alves
  • Trinta anos de mim mesmo – 1972 – Nórdica
  • Livro vermelho dos pensamentos de Millôr – 1973 – Nórdica. Edição revista e ampliada: Senac – 2000.
  • Compozissõis imfãtis – 1975 – Nórdica
  • Livro branco do humor – 1975 – Nórdica
  • Devora-me ou te decifro – 1976 – L&PM
  • Millôr no Pasquim – 1977 – Nórdica
  • Reflexões sem dor – 1977 – Edibolso.
  • Novas fábulas fabulosas – 1978 – Nórdica
  • Que país é este? – 1978 – Nórdica
  • Millôr Fernandes – Literatura comentada. Organização de Maria Célia Paulillo – 1980 Abril Educação
  • Todo homem é minha caça – 1981 – Nórdica
  • Diário da Nova República – 1985 – L&PM
  • Eros uma vez – 1987 – Nórdica – Ilustrações de Nani
  • Diário da Nova República, v. 2 – 1988 – L&PM
  • Diário da Nova República, v. 3 – 1988 – L&PM
  • The cow went to the swamp ou A vaca foi pro brejo – 1988 – Record
  • Humor nos tempos do Collor (com L. F. Veríssimo e Jô Soares) – 1992 – L&PM
  • Millôr definitivo – A bíblia do caos – 1994 – L&PM
  • Amostra bem-humorada – 1997 – Ediouro – Seleção de textos de Maura Sardinha
  • Tempo e contratempo (2ª edição) – Millôr revisita Vão Gogô – 1998 – Beca.
  • Crítica da razão impura ou O primado da ignorância – Sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney, e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso – 2002 – L&PM
  • 100 Fábulas Fabulosas – 2003 – Record
  • Apresentações – 2004 – Record.
  • Novas Fábulas E Contos Fabulosos (ilustrações de Angeli) – 2007 – Desidratada.

Poesia

  • Papaverum Millôr – 1967 – Prelo. Edição revista e ilustrada: 1974 – Nórdica
  • Hai-kais – 1968 – Senzala
  • Poemas – 1984 – L&PM

Artes visuais

  • Desenhos – 1981 – Raízes Artes Gráficas. Prefácio de Pietro Maria Bardi e apresentação de Antônio Houaiss.

Teatro (em livro)

  • Teatro de Millôr Fernandes (inclui Uma mulher em três atos 1953, Do tamanho de um defunto 1955, Bonito como um deus 1955 e A gaivota 1959) – 1957 – Civilização Brasileira
  • Um elefante no caos ou Jornal do Brasil ou, sobretudo, Por que me ufano do meu país – 1962 – Editora do Autor
  • Pigmaleoa – 1965 – Brasiliense
  • Computa, computador, computa – 1972 – Nórdica
  • É… – 1977 – L&PM
  • A história é uma istória – 1978 – L&PM
  • O homem do princípio ao fim – 1982 – L&PM
  • Os órfãos de Jânio – 1979 – L&PM
  • Duas tábuas e uma paixão – 1982 – L&PM (nunca encenada)

Teatro (não editado em livro)

  • Diálogo da mais perfeita compreensão conjugal – 1955
  • Pif, tac, zig, pong – 1962
  • A viúva imortal – 1967
  • A eterna luta entre o homem e a mulher – 1982
  • Kaos – 1995 (leitura pública em 2001 – nunca encenada)

Espetáculos musicais

  • Pif-Paf – Edição extra! – 1952 (com músicas de Ary Barroso)
  • Esse mundo é meu – 1965 (em parceria com Sérgio Ricardo)
  • Liberdade, liberdade – 1965 (em parceria com Flávio Rangel)
  • Memórias de um sargento de milícias – 1966 (com músicas de Marco Antonio e Nelson Lins e Barros)
  • Momento 68 – 1968
  • Mulher, esse super-homem – 1969
  • Bons tempos, hein?! – 1979 (publicada pela L&PM – 1979 – Porto Alegre)
  • Vidigal: Memórias de um sargento de milícias – 1982 (com músicas de Carlos Lyra)
  • De repente – 1984
  • O MPB-4 e o Dr. Çobral vão em busca do mal – 1984
  • Brasil! Outros 500 – Uma Pop Ópera (com músicas de Toquinho e Paulo César Pinheiro)

Referências

  1. a b c d e f g h i j “Millôr Fernandes”. Releituras
  2. “Morre aos 88 anos no Rio o escritor Millôr Fernandes”. O Globo, 28 de março de 2012
  3. a b c “Morre mestre do humor Millôr Fernandes aos 87 anos”. O Globo, 28 de março de 2012
  4. “Admiradores e amigos lamentam a morte de Millôr Fernandes”. O Globo, 28 de março de 2012
  5. “Fundador de ‘O Pasquim’, Millôr se autodefinia um ‘escritor sem estilo'”. G1, 28 de março de 2012
  6. “Criador do frescobol, escritor Millôr Fernandes morre no RJ”. lancenet.com.br, 28 de março de 2012
  7. a b “Escritor Millôr Fernandes morre no Rio aos 88 anos”. Folha de S. Paulo, 28 de março de 2012
  8. “Millôr reclama direitos de acervo virtual de Veja”. Consultor Jurídico, 25 de novembro de 2009
  9. “Millôr Fernandes tem alta de centro de terapia intensiva”. Folha de S. Paulo, 18 de fevereiro de 2011
  10. “Millôr Fernandes tem alta de hospital no Rio”. Folha de S. Paulo, 28 de junho de 2011
  11. “Escritor Millôr Fernandes tem alta no Rio”. Folha de S. Paulo, 16 de novembro de 2011
  12. Caras:Perfil Millôr Fernandes

Ligações externas

O Wikiquote possui citações de ou sobre: Millôr Fernandes

Fonte: Wikipedia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mill%C3%B4r_Fernandes