Como Educador Social em uma escola do Município de Vitória-ES, tenho tido a oportunidade de substituir alguns professores em sala de aula, ministrando para as séries iniciais do ensino fundamental, cuja faixa etária varia entre 6 e 14 anos. O meu trabalho de professor substituto não acontece somente em sala de aula, mas, inclusive nas aulas de educação física.

Observando os educandos em situações diversas e variadas, percebi que o comportamento dos mesmos oscilam muito entre um ambiente e outro. Os educandos com os quais eu trabalho no turno matutino no “Programa Educação em Tempo Integral”, são os mesmos com os quais eu trabalho no contra turno, durante as substituições. Não raramente, em sala de aula, um ou outro se comporta muito diferente do comportamento habitual, quando está comigo no turno matutino durante o Programa “Tempo Integral”. Geralmente, eles parecem esquecer tudo o que lhes tenho ensinado. O que me leva a crer, que um ser humano, principalmente as crianças e os pré-adolescentes (que são o objeto da nossa análise nesse momento), podem variar de comportamento muito facilmente, contrariando os contrários à teoria de que “o homem é o produto do seu meio ambiente”.

Também é impossível deixar de observar que nas aulas de educação física, crianças se comportam de maneira muito diferente do seu comportamento em sala de aula. Geralmente nas aulas de educação física o comportamento daqueles mais “agitados” piora. São nas aulas de educação física que tenho a oportunidade de ampliar as minhas observações, e perceber que em geral o comportamento que os educandos apresentam na comunidade escolar, é nada menos que uma reprodução do seu ambiente social, que é claro, inclui também a escola. O que quero dizer é que em geral, toda a violência e comportamento inadequado à um ser humano, que os educandos apresentam na escola, é uma reprodução daquilo que eles vivenciam em seus lares e em suas comunidades de origem.

Os meninos apresentam um quadro de extrema violência física. Eles se agridem fisicamente quase que o tempo todo – alem do ‘bullying’, é claro. Quando o assunto é violência física, a questão maior gira em torno de menino x menino, embora as meninas não escapem da violência masculina. Mas quando a agressão gira em torno do ‘bullying’, as meninas são as vítimas preferidas dos meninos.

É visível e notório, principalmente nas meninas, a intriga (a famosa fofoca), de uma “armando” contra a outra (muito parecido com as tramas apresentadas nas novelas). Esse problema é tão arraigado ao comportamento das meninas em tão tenra idade, que chega a impressionar. Quando a questão gira em torno da violência física, a vítima preferida das meninas são os meninos.

Uma coisa tem me chamado a atenção de uma forma muito acentuada, nesses últimos meses: As meninas são extremamente mimadas, autoritárias e intransigentes. Se não for como elas querem, elas se recusam a fazer, e agora não estou falando do relacionamento com as aminguinhas e com os amiguinhos. Estou me referindo à aula – no caso aqui, a aula é a de educação física. Nessa hora deixo de lado toda a pedagogia e psicologia e as faço entenderem que existe uma coisa chamada limite – isso faz parte da (minha) didática. Não somente com as meninas mas também com alguns meninos, pois em muitos lares e residências, são as crianças e os adolescentes que decidem como “como a banda vai tocar”, e as famílias obedecem. É impressionante, quando converso com alguns pais – os poucos que aparecem na escola – sobre o comportamento dos filhos deles, e eles me dizem: -“Ah professor, em casa também é assim. Ela/ele quer mandar o tempo todo, e não faz nada do que eu digo. Eu não sei mais o que fazer com essa criança…”

Penso que educar é acima de tudo impor limites!

Austri Junior

Fonte dessa imagem:

http://aslinguagensdoaprender.blogspot.com/2011/09/educacao-e-limites-os-des-caminhos-da.html

Anúncios