“Ide por todo o mundo”

                                                                                                                   Mt 28.19
Hoje recebi por e-mail, um vídeo muito interessante, e também muito impactante  – embora não nego o grande apelo sentimental ali contido – que me fez pensar muito.
O vídeo nos chamava a atenção para os “pontos vermelhos” no globo terrestre, informando que aquele é o número de pessoas não alcançadas – pessoas não cristãs – e que precisavam ser alcançadas.
Se assistirmos ao vídeo somente com a nossa fé, e pior ainda: somente com a nossa emoção, com certeza sairemos correndo e nos candidataremos à ir “por todo o mundo”. A mensagem peca quando começa a criticar os que não “obedecem”: “Aqueles que não vão, os que não doam dinheiro, os que não oram e os que não deixam o seus irem”, são os “desobedientes”, diz a mensagem.
Ora, isso é manipulação das piores. Eu já estava todo envolvido e ansioso para acessar o site e me candidatar, quando comecei a perceber a manipulação e o interesse em fazer os outros se sentirem culpados. E foi nessa hora que o Teólogo tomou o controle da situação dizendo para o religioso: “essa missão já começou errada”.
“Ir por todo o mundo” é uma Missão de valor inestimável para o Reino, e foi ordem de Jesus. Entretanto, não ir, não significa desobediência. O mundo começa em mim e em você, na minha e na sua casa, na minha e sua igreja (templo e instituição), na minha e na sua família, na minha e na sua comunidade, no meu e no seu trabalho… Onde estamos somos missionários e podemos fazer missões. Isso também não quer dizer que não devemos ir para longe. Entretanto não precisamos necessariamente, ir ao continente africano, à Índia, e ou, ao oriente, ou mesmo ao oriente médio, para evangelizar.
Também não creio que temos o dever e a obrigação de “evangelizar” os budistas, os xintoístas, os muçulmanos…  Temos sim o dever e a obrigação de respeitá-los e compreender que cada um deve continuar em suas respectivas religiões, entre elas a umbanda, o candomblé, o kardecismo…, até que elas próprias impelidas pelo Espírito do Senhor, e não pelo meu espírito, embora eu possa e deva ser o canal dessa Graça, se decidam por essa ou aquela religião e venham compreender e sentir o Amor de Deus, onde Deus queira que elas estejam. Ali essas pessoas poderão ser usadas por Deus, e da maneira que Ele quiser.
Evangelizar não é fazer prosélitos nem apontar os dedos sujos e cheios de pecados para os outros, fazendo-se de santo ou de santa, quando na realidade se está com a mente lotada de coisas obscuras, tais como julgamentos religiosos, ódio, malícia, falta de perdão, falta de respeito…
Toda missão deve ser feita com alteridade, com muito Amor e com muito respeito ao ser humano, à sua cultura, à sociedade e à comunidade onde ele está inserido. Missão não é pregar usos e costumes, e muito menos moralidades, aniquilando a cultura local como foi feito aqui na América Latina e principalmente no Brasil, primeiramente pelos missionários católicos romanos (entre eles os jesuítas), e depois pelos pastores e missionários norte americanos e europeus, que aqui estiveram quando em terras tupiniquin foi implantado o “Protestantismo de Missões”.
Na ocasião da ocupação e exploração do Brasil por parte dos portugueses – não falo de descobrimento porque o Brasil já tinha os seus habitantes quando os europeus chegaram por aqui. Esses habitantes são os nativos brasileiros, erroneamente chamados de índios. Esses sim, descobriram o Brasil –  os jesuítas obrigaram os nativos brasileiros – e de toda a amazônia – à vestirem roupas: moralismo! E no decorrer das missões católica, dizimaram uma imensidão desses nativos, oprimiram-nos, escravizara-nos, e os demonizaram.
Depois foram os pastores e missionários americanos e os pastores e missionário europeus, com seus ternos e gravatas, que nos impuseram a sua cultura, e o seu modo de se vestir, pregando o uso e costumes, e nos disseram que não podemos usar cabelo grande e nem barba. Eles que desrespeitaram a nossa cultura, e o nosso modus vivendi, também demonizaram o nosso país e as religiões afro-ameríndias, e disseminaram na mente do povo brasileiro que o tambor era um instrumento do diabo. Essa mentalidade perdura entre nós até os dias de hoje. Você vê tambores nos grupos musicais nas igrejas brasileiras?
“Penso, logo existo!” Além do “Ide por todo o mundo”, o famoso “Cogito ergo sun”, deveria nortear as missões cristãs, que, de cristãs, muitas não têm nada. Antes de pensar em fazer missões, eu deveria pensar em que tipo de missionário devo ser, e em que tipo de missão eu devo executar. Por isso tenho alguma perguntas:
  1. Será que todos precisam mesmo ser cristãos?
  2. Será que os cristãos estão sendo referência positiva no mundo (sal da terra)?
  3. A quem devo pregar? As Boas Novas (Evangelho), ou a religião, a denominação ou a mim mesmo?
  4. Devo pregar o Amor de Deus ou pregar aquilo que eu acredito, mas não sou?
Ide, portanto, e pregai o Amor, a Graça e a Paz, o perdão, a misericórdia, o respeito, a alteridade. Evangelizar não é fazer prosélitos. A ordem foi “fazei discípulos” (Mt 28.19), não para mim ou para você, muito menos para a denominação em nem para a religião. Quando Jesus disse: “Ide”, ainda não havia nem sequer o cristianismo, ele disse: “… em nome do Pai e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).
Estás interessado em ir? Então vá! “Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”; tão somente, amém!
O Amor do Pai, a Graça do Filho e as consolações do Espírito Santo do Deus Altíssimo e Todo Poderoso nos acompanhem em nossas missões à cada lugar por onde passarmos e com todos com os quais nos comunicarmos. Inclusive nos blogs e nas redes sociais, amém.
“O mundo é minha paróquia”. A internet é meu púlpito!

Austri Junior

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