A Educação em Tempo Integral

A Educação em Tempo em integral é diferente da escola de (ou em) Tempo Integral.
Na Educação em Tempo Integral os educandos passam o dia todo na escola, porém com uma diferenciação curricular e pedagógica, que funciona da seguinte maneira: no contra-turno, os educandos participam de atividades desportivas, oficinas diferenciadas: artísticas, culturais, didáticas, pedagógicas… visitas culturais aos museus, cinemas, teatros, fábricas… O Educador consciente nunca se refere à essas saídas como “passeios” pois não são! O bom educador, sempre irá tratar as atividades fora do ambiente escolar como “Encontros Pedagógicos”, pois todos os espaços serão sempre educativos e pedagógicos e constituem o Currículo Educativo da Educação Social. Ao retornar dos encontros, o Educador deve socializar com os educandos as atividades lá observadas, sejam elas um filme, uma peça teatral, uma apresentação, ou uma oficina, seja essa atividade de qualquer espécie, ela deve ser contextualizada, discutida e explorada ao máximo, buscado absorver essência de tudo o que foi vivenciado naquela oportunidade e desenvolver  atividades que socializem as coisas mais importantes que aconteceram durante o encontro, ou oficina, estimulando os talentos individuais dos educandos,através de redações, estórias e histórias, tirinhas e quadrinizações, desenho livre, contos, falas e narrativas, debates…

Eu que sempre fui um critico acirrado do Programa Educação em Tempo Integral da Prefeitura Municipal de Vitória, no Espírito Santo, hoje venho retirar publicamente através desse post muitas das críticas que fiz à SEME e consequentemente ao Programa, entre elas a fala de que esse programa era uma “cortina de fumaça.” O motivo pelo qual estou retirando as críticas que fiz ao programa é porque nesse ano de 2011, a Prefeitura assumiu totalmente o programa, inclusive a contratação dos Educadores Sociais. Embora o salário e o nível de escolaridade exigidos ainda não são compatíveis com a função – ainda há muita coisa para melhorar – estamos percebendo que estamos no caminho. O que estamos vendo nesse ano foram e serão mudanças significativas: processo seletivo simplificado, que transformou o Educador Social em servidor público e não mais um trabalhador contratado por alguma ONG que todo ano mudava, e que recebia muito mal pelo seu valiosíssimo trabalho. Com isso, o salário embora longe do ideal, melhorou  e deu um salto substancial que ultrapassa a casa dos 30%. Outra mudança significativa foi a abordagem e a re-leitura que a SEME (Secretaria Municipal de Educação de Vitória -ES) está fazendo do programa, inclusive as formações dos Educadores que estão com um nível de conhecimento muito mais profundo e significativo, entre outros…
O Programa ainda tem muito o que crescer e avançar, mas repito, está no caminho certo. O Programa amadureceu e cresceu nesses quatro anos de funcionamento (mais um ano como projeto piloto, em 2007, no Polo [do colégio] Americano). Muito foi feito nas escolas com e pelos educandos. As relações entre a Escola e o Programa que eram truncadas e difíceis estão melhorando, mas ainda é necessário rever o comportamento de algumas equipes do Programa e principalmente da parte de alguns dos seus responsáveis – os coordenadores do Programa – que ainda deixam muito a desejar junto à Diretoria, ao CTA e à escola como um todo e vice-versa. Mas isso é um assunto que extrapola o trabalho que a SEME vem fazendo – embora em minha opinião, a SEME pode resolver facilmente os problemas de falta de compromisso por parte de alguns coordenadores do Programa, contratando profissionais de fora de Rede Municipal de Ensino, em regime de CLT. Muitos desses coordenadores são professores “cansados” fugindo das salas de aulas, das preparações e das correções de avaliações e trabalhos, entre outras coisas….
Outra coisa que precisa ser revista é que, Infelizmente, a função de Educador Social passou a receber um nome que até então não existia ou que nunca se tinha ouvido falar: “INTEGRADOR SOCIAL.” Dizem que por questões trabalhistas e jurídicas. Eu entretanto, não abro mão da minha função de Educador Social, pois Educador é o que sou. Pode-se argumentar que é apenas uma questão de nomenclatura, mas para mim a questão vai muito além disso e eu não abro mão de ser um Sócieducador para ser “sócio-integrador.” A função do Sócieducador vai muito além da integração, embora, que a Educação passa pela integração, e vice-versa, pois a Educação é em sua plenitude um agente de integração, e o Sócioeducador, é um agente de transformação (assim como a Educação), e também um agente de integração.
Como a Sócioeducação é assunto inesgotável e riquíssimo, com certeza voltaremos à novas abordagens futuramente. Por hora, quero registrar que estou acreditando novamente no  Programa Educação em Tempo Integral da Prefeitura Municipal de Vitória, e apostando tudo nesse trabalho. Sei que podemos melhorar e avançar muito mais e assim faremos, principalmente quando os coordenadores do Programa (alguns, não todos), se doarem como Educadores que são – ou que deveriam ser – e começarem interessar-se pela Sócioeducação como uma ferramenta da Educação  Inclusiva que pode mudar e transformar a trajetória de muitos seres humanos, influenciando diretamente na construção de uma sociedade melhor (não de uma vez, isso é um processo construtivo, um passo à cada dia), e não apenas se preocuparem com os seus contra-cheques e respectivos descontos.Por Austri Junior
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