A Tecnologia e a Educação

  Por Austri Junior
No post anterior, comentei sobre Tecnologia x Analfabetismo. Não muito diferente da situação do nosso personagem na UPA (clique no link acima), estão os alunos e professores das Redes Públicas de Ensino.
Uma pesquisa mostrou que os professores das Redes Públicas estão aquém do seu alunos no que diz respeito à tecnologia, pois essa é a geração dos games, e além disso, existem alguns fatores que contribuem para alimentar esses dados:
1) As crianças aprendem com maior e mais facilidade;
2) As crianças têm muito mais interesse em aprender a lidar com a tecnologia, e além disso, têm mais tempo livre;
3) Os professores (que conheço), que não dominam a informática e a internet, não têm o mínimo interesse em aprender.
Mesmo os alunos que se interessam pela tecnologia, mas não sabem ler, acabam no mesmo emaranhado que o nosso personagem do post anterior. Tenho feito muitas substituições em sala de aula no contra-turno na escola onde trabalho como Educador Social, e no momento em que levo os educandos para o laboratório de informática, vejo a dificuldade daqueles que não sabem ler, em lidar com o computador. Infelizmente há alunos no 4º e no 5º ano que não sabem ler – maldito “Bloco Único”.
A questão é que a educação pública no Brasil anda de jegue, e vai deixando para trás um rastro de ignorantes, analfabetos e semi-analfabetos. Com o advento da informática, temos mais uma classe de analfabeto: o analfabeto cibernético. Até pouco tempo eu era um analfabeto cibernético. Em dado momento percebi que o mundo estava viajando na velocidade da luz, enquanto eu estava como a educação pública, montado no lombo de um jeguinho. Resolvi que nunca mais passaria por constrangimentos… Fui à luta, e continuo lutando, buscando, mergulhando, aprendendo mais à cada dia, e por isso, eu que tinha aversão a tecnologia, hoje sou um grande fã e incentivador da mesma.
Fico muito feliz quando vejo uma pessoa com mais de trinta anos, principalmente – se esta teve pouco acesso à educação – se interessando em aprender a lidar com essa parafernalha tecnológica, também me alegro muito quando vejo alguém que alcançou a terceira idade buscando o conhecimento tecnológico. O contrário disso muito me entristece. Quando vejo educadores fugindo da tecnologia, seja por qual for o motivo: medo, aversão, pouco caso… Fico muito decepcionado.
Muitos professores estão muito atrasados no que diz respeito a informática, mesmo dominando o conhecimento em algumas redes sociais como o orkut e o facebook, não sabem usar o computador de maneira produtiva.
A atitude negativa de professores incompetentes e desinteressados reflete diretamente na qualidade da educação, que por sua vez reflete diretamente na sociedade brasileira. E isso é que faz a diferença entre um professor e um Educador: o professor ensina o que sabe, o Educador busca aprender aquilo que não sabe, e uma vez, tendo aprendido, partilha com os seus educandos. Essa partilha enriquece a vida de ambos, fortalece a educação e constrói uma sociedade com consciência cidadã. É essa sociedade que vota, que protesta, que cobra, que age, que trabalha com ética, e que no futuro vai às Unidades de Saúde, aos bancos, à repartições públicas e privadas “tocar na tela” para retirar uma senha, enquanto acompanha o desenvolvimento da nação. Podemos escolher que nação será essa: a que viaja na velocidade da luz, ou a que viaja de jegue.
Austri Junior
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